
Os óleos carreadores, também chamados de óleos vegetais ou fixos, são utilizados para veicular os óleos essenciais, seja para ingestão, odorização ambiental, massagem ou fim cosmético. Ou seja, são óleos que, dentre outros fins, servem para diluir os óleos essenciais uma vez que sua aplicação de forma pura pode provocar diversos problemas (por exemplo: intoxicação, irritação da pele, etc.). Os óleos carreadores podem ser obtidos por pressão a frio ou extraídos por solvente. Na primeira técnica, as sementes são espremidas por uma prensa – o que expulsa o óleo para um recipiente. É o método que retém boa parte das propriedades terapêuticas das sementes, muitas vezes destruídas durante o processo de refino. Já na segunda técnica a polpa é saturada com um solvente (usualmente hexano) que dissolve a maior parte do óleo presente na polpa. A massa resultante é então filtrada e o solvente evaporado por aquecimento.
Os óleos carreadores são ricos em emolientes (substâncias que ajudam a proteger a pela da perda excessiva de umidade) e ácidos graxos saturados e insaturados. Os ácidos graxos saturados, nesse caso, são representados pelos ácidos esteárico, palmítico, láurico e mirístico e os insaturados pelos ácidos oléico, linoléico e linolênico. Os insaturados são os mais interessantes do ponto de vista nutricional e para o tratamento de pele, porém, são mais reativos com o oxigênio (passíveis de oxidação) – processo químico conhecido por “ranço” e que diminui a vida de prateleira (shelf life) desses óleos. No entanto, vale lembrar que diversos óleos essenciais contêm antioxidantes – o que prolonga a vida de prateleira dos óleos vegetais e age contra os radicais livres. Por exemplo: foi comprovado que adicionando 0,2% de óleo essencial de alho (antioxidante) no óleo vegetal de amendoim é possível aumentar a vida de prateleira desse óleo em 24,3 meses (a 20º C).
Os principais óleos carreadores para uso alimentício e cosmético
Óleo de Amendoim: cerca de 82% dos ácidos graxos são insaturados, tais como o ácido oléico e linoléico. Apenas 11% são representados pelos ácidos esteárico e palmítico, saturados. O óleo de amendoim pode ser ingerido ou utilizado em massagens relacionadas à artrite, preferencialmente em peles secas. No entanto, trata-se de um óleo que exige cuidado, pois é alergênico a muitas pessoas.
Óleo de Gergelim: contêm aproximadamente 41% de ácido linoléico, 39% de ácido oléico, 9% de ácido palmítico e 5% de ácido esteárico, além de vitaminas A, B e E. É empregado na hidratação e proteção da pele. A vitamina E é um antioxidante natural, o que retarda o envelhecimento da pele. Possui aminoácidos e cálcio. Não deve ser utilizado puro sobre a pele – o ideal é combiná-lo com outros óleos carreadores – nem incluir mais do que 10% do mesmo. É recomendado para pessoas de pele normal, para tratar de problemas como reumatismos, artrites, eczemas e psoríases.
Óleo de Canola: o óleo de canola é extraído das sementes da colza, planta da família da mostarda. É bastante rico em ácidos graxos insaturados, tais como 60% de ácido oléico, 22% de ácido linoléico, 10% de ácido linolênico e apenas 4% e 2% respectivamente de ácidos palmítico e esteárico, ambos saturados. Não há necessidade de combinação com outros agentes carreadores. Tem boa capacidade de higienização e ação leve sobre a pele.
Óleo de Cenoura: este óleo faz bem para a pele, pois é composto de beta-carotenóides, ácido graxo linoléico, tocoferóis e confere coloração alaranjada ao produto final. Há poucos trabalhos sobre a eficácia desse óleo, mas é sabido que tem efeito “semi-secante”. Não deve ser utilizado para fins alimentícios.
Óleo de Girassol: é bastante concentrado em ácidos graxos insaturados com cerca de 70% de ácido linoléico e 19% de ácido oléico, que possuem propriedades hidratantes e emolientes. O óleo de girassol pode ser utilizado sobre a pele, de preferência oleosa, sem estar misturado a outros óleos vegetais.
Óleo de Semente de Uva: é um dos mais concentrados em ácidos graxos poliinsaturados. A soma de ácidos oléicos e linoléicos pode ultrapassar os 95%. Até pouco tempo atrás, o óleo de uva era usado em dietas alimentícias especiais. Além de rico em insaturados, ele apresenta propriedades bastante interessantes do ponto de vista cosmético e alimentício: é macio, rapidamente absorvido pela pele, não sendo gorduroso ou pegajoso. O óleo de uva ajuda a balancear o pH da pele, além de ser hipoalergênico e rico em vitamina E e proantocianidinas, importantes agentes antioxidantes. Este óleo tem, por exemplo, 50% mais capacidade antioxidante que o óleo de gergelim. É recomendado para pelas sensíveis ou irritadas.
Óleo de Abacate: como creme de pele, este óleo ajuda a eliminar células mortas, aumenta a hidratação e diminui o envelhecimento. Ajuda em casos de psoríases. A sua concentração é 24% de ácido palmítico e 50% de ácido oléico, ou seja, praticamente não contém ácidos graxos poliinsaturados (o oléico é monoinsaturado e o palmítico é saturado). Não deve ser utilizado para fins alimentícios.
Azeite de Oliva: o azeite de oliva contém cerca de 85% de ácido oléico, 5% de linoléico, 7% de palmítico e 2% de esteárico, ou seja, cerca de 90% insaturado. É o principal óleo na culinária e provavelmente o veículo preferido para a diluição dos óleos essenciais destinados à ingestão. O azeite de oliva também ocupa uma posição de destaque em massagens, ajudando na hidratação e restauração da pele. Não deve ser utilizado puro. O ideal é combiná-lo com outros óleos carreadores, não incluindo mais do que 10% do mesmo. Seu uso é particularmente interessante para pessoas com pele seca.
Óleo de Soja: é rico em ácidos graxos insaturados, tais como 51% de ácido linoléico, 29% de oléico e 7% de linolênico. Pesado e altamente viscoso, é eficiente na higienização da pele, tendo ação leve, não-cáustica sobre a mesma. Pode ser utilizado sem estar combinado a outros óleos, porém o ideal é misturá-lo para diminuir o excesso de gordura e viscosidade.
Por fim, vale salientar que a proporção de óleo essencial adicionada ao óleo carreador costuma ser de 40 a 60 gotas para cada 100 ml, aproximadamente 2-3%. Mas estes valores podem variar de acordo com o caso, o que exige a orientação de um profissional antes de qualquer “aventura”.